domingo, 29 de abril de 2012

*E quem me dera


E quem me dera ser um bicho de sete patas,
corcunda, grande, peludo, preto e marrom que erra
pelos campos babando a procura do que comer
E não um alguém a procura do que sentir
E simplesmente respirar o mundo estático
E quem me dera ser um prédio grande,
antigo, duro e bege que ergue-se ao sol
frente aos que passam e se apequenam ao vê-lo
E simplesmente ser o que é e ficar ali
E não caminhar tentando ler as entrelinhas do universo
e não mancar entre um abismo e o mundo,
entre o vazio e a realidade, entre a melancolia e a felicidade
E quem me dera não ter de dizer quem me dera,
sentir simplesmente a fruta morder
e escorrer o suco que dela brota,
correr pelos campos amarelos, sentir
o sol quente em uma manhã gélida
olhando o céu, na terra, horizontar-se
e enxergar ali o infinito da vida minha em meus pensamentos

Eu que tenho babado meus versos,
que tenho errado pelas ruas procurando ser grande,
que tenho sido duro para erguer-me na realidade
e simplesmente ser o que sou e ficar ali

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